quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Resenha: O Doador de Memórias

Sinopese da Editora Arqueiro:

Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína.

Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente – o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente.

Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis.

Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo.

Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.

*****
Há quem diga que o livro é uma distopia; eu diria que é mais uma utopia. Talvez seja um pouco dos dois.
Jonas vive em uma sociedade perfeita, onde as pessoas desconhecem a guerra, os conflitos e a dor. Porém, para que seja assim, coisas do passado tiveram que ser sacrificadas: já não há mais cores, música, ou emoções. As pessoas inclusive tem que tomar uma pílula para reprimir seus sentimentos, tornando o mundo em que vivem completamente racional.
É muito interessante ver Jonas tomar conhecimento de todas as coisas que já não existem mais, já que são coisas cotidianas para nós. Quase não acreditei quando li que eles viviam em um mundo em preto e branco.
Talvez o que faça esse livro se destacar seja que, diferentemente de todas as distopias/livros de ficção atuais, não existe real conflito. Jonas não tenta começar uma revolução (o que não funcionaria de qualquer maneira, já que ninguém estaria disposto a segui-lo, afinal, ele era o único com o conhecia o passado, além do Doador.), ele simplesmente deixa a sociedade, pensando que aquela era a melhor maneira de resolver os problemas. Na verdade, não há antagonista real nessa história, a não ser falta de emoções em si. Mesmo o governo de toda aquela sociedade alienada não é culpado uma única vez: eles também desconhecem a verdade, que é a única coisa que prova que há algo errado.
O que mais gostei no livro foi a relação entre Gabriel e Jonas, já que Gabriel parece ser o único que o entende (Além, é claro, do próprio Doador de Memórias.) Não é mencionado no livro, mas acredito que eles não tirem as emoções de bebês e crianças. Por isso mesmo, Jonas e Gabriel parecem ter uma ligação.
É um livro curto; eu gostaria que fosse mais longo, mas entendo por que a autora resolveu finalizar do jeito como finalizou. Sei que tem continuações (mais 3 livros.), mas os livros seguintes não seguem Jonas, nem algum conhecido da história.
Ao todo, gostei muito do livro. Até já assisti ao filme, que na verdade achei até mais... Explicativo que o livro, de certa maneira. Algumas coisas foram mudadas, mas achei que foram mudadas para melhor!
Então é isso, se você já leu O Doador de Memórias, ou alguma de suas continuações, comentem e digam o que acharam!
Beijos,

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