sábado, 23 de janeiro de 2016

Resenha | A Rainha Vermelha

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O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.
A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard, tem feito muito sucesso por aí. O livro conta a história de Mare Barrow, uma garota que vive em uma sociedade dividida pelo sangue: vermelho ou prateado. Enquanto os prateados são poderosos, sobrenaturais, os vermelhos são apenas plebeus, trabalhadores. Mare é uma vermelha. Porém, em um acidente durante uma apresentação de prateados, ela acaba descobrindo algo inédito sobre si mesma e sendo levada para o palácio para viver como alguém de sangue prata.

Comecei esse livro com muitas expectativas, já que todo mundo no mundo parecia ter amado esse mundo, personagens, e tudo mais. Sim, eu gostei do livro. Não, não é um livro ruim. Mas também não achei maravilhoooso. Não sei muito bem o porquê, mas vou tentar explicar. E, claro, se você ainda não leu esse livro, cuidado, pois essa será uma resenha com spoilers!

Vamos começar sobre o mundo no geral: achei uma loucura a autora ter incorporado tantos elementos diferentes nesse mundo. É sobrenatural, distópico, fantástico... Em certos momentos, cheguei a achar um pouco demais, mas, no geral, achei legal, diferente. Os poderes dos prateados eram interessantes, e o de Mare mais ainda!

Um dos pontos que mais gostei no livro foi a ideia das relações entre as pessoas de "classes" iguais e diferentes. Não sei se é claro o que estou tentando dizer, mas é o seguinte: gostei da maneira como ela tratou as relações entre pessoas. A relação de Maven e Cal, de Cal e Mare, Mare e a Rainha, o Rei e a Rainha, Lucas e Maven, a monarquia e as outras casar... Gostei da ideia. Do superficial. Tenho que admitir que a prática pra mim, foi um certo problema.

Deixe eu explicar: não achei que as ideias desses relacionamentos foram bem desenvolvidas. Não consegui sentir as relações em si, só o que a autora queria que fossem essas relações. Isso melhorou um pouco no final do livro, tenho que admitir. Aliás, o final foi minha parte favorita. Pareceu que tudo ficou tão melhor! Percebi que tive um relacionamento muito bipolar com esse livro: as vezes estava entretida, as vezes não dava a mínima.

Agora, o que realmente me deixou nervosa foram os personagens, tanto os que gostei quanto os que odiei. Então, vamos começar por Mare. Odeio comparar livros, mas não posso deixar de comparar A Rainha Vermelha com Jogos Vorazes. Não pelo enredo, mas por alguns personagens. Mare me lembra muito Katniss. Ela quer proteger aqueles que ama, não quer necessariamente se envolver demais, vê as consequencias, é o símbolo da revolução. Infelizmente, enquanto Katniss me convenceu de seus valores, de sua coragem, de seu amor pelos familiares, Mare simplesmente não conseguiu. Eu não consegui acreditar no seu suposto amor e lealdade. Não senti seu amor por Cal e o desenvolvimento desse relacionamento (mas é claro que quero que eles fiquem juntos, porque sou idiota desse jeito) , e muito menos senti seu amor por Maven. Em um momento ela não confiava nele, não gostava dele, e de repente, bum, eles estão se beijando. Pelo menos foi essa a impressão que eu tive.

Então vamos falar dos príncipes. Não curto muito o estereótipo de príncipe oprimido com problemas com o pai, ou seja, não consegui gostar de Maven mesmo quando ele era bonzinho. Ele não me convenceu. Não previ a traição, mas, convenhamos, com tanta gente falando que ele era igualzinho a mãe dele, devia ter adivinhado, né? Consegui gostar mais de Cal porque ele é o clichê que eu gosto: principe leal ao pai, vai ser rei e vai ser um bom rei, porém, tem compaixão demais. Ele foi um dos que mais gostei, simplesmente pois foi o que eu achei mais bem construído. Sua "bipolaridade", seu conflito interno, sua lealdade ao reino mas sua consciência dos problemas... Ele até que me convenceu, então, gostei dele. E gostei mais ainda no final, quando descobriu que Mare tinha o traído.

Antes de continuar com os personagens, tenho que falar desse cena. Quase gritei de frustração ao ver Mare tentar convecer Cal a mudar de lado. Nunca vi um plano tão idiota, estúpido e inacreditável. Não consigo acreditar que alguém inteligente como Farley deixou algo assim acontecer. Não me entendam errado: acredito que o amor pode fazer as pessoas mudarem, acredito, mas acredito quando o negócio não é simplemente inacreditável (?). Cal é leal, o rei é seu pai, ele vai ser rei, ele foi criado a vida toda para isso. Como alguém pode acreditar que ele jogaria tudo isso fora em um momento de tensão, de conflito, para destruir o seu reino por causa de uma garota que conheceu há, o que, um mês? Em situações de tensão. a pessoa escolhe o que é conhecido, o que é familiar. Obviamente ele não iria escolher Mare e a estupidez no plano me fez querer jogar o livro pela janela.

Ufa. Voltando aos personagens.

Sabe quem mais eu achei idiota? Kilorn. Pra mim, Kilorn não faz sentido. Odeio dizer isso, mas, pra mim, Kilorn é uma tentativa de fazer um novo Gale. E não funcionou. Eu simplesmente não senti o amor que Mare dizia sentir por ele. Sinto que vai ter um triângulo amoroso com ele, porque a autora meio que deixou isso no ar, mas não consigo acreditar. Ele me parece sem personalidade, tudo nele parece forçado.

Outro que achei sem personalidade foi o rei. Pra mim ele só parecia estar lá, agindo como mau. Elara, por outro lado, me convenceu como o clichê de madrasta do mal. Gostei, mas achei que ficou só isso: vilã. Superficial. Sem aquele algo mais para realmente me atrair.

Evangeline! Essa sim me convenceu! Ela queria a coroa a todo custo, chegou lá. Prateada dos pés a cabeça, odeia vermelhos, despreza Mare que, pela história, é prateada mas viveu entre vermelhos. E quando seu noivo traiu o reino, ela foi para a arena executá-lo. Não queria que eles ficassem juntos, mas realmente gostei dela e Cal como um casal. Imaginem que casal mais foda!

Os outros personagens pra mim foram simplesmente... indiferentes. Gostei de Julian, gostei de Lucas, gostei de Gisa... mas nada incrível. Da maneira que estou falando, parece que não gostei do livro. Mas gostei, sim.

Adorei as partes do treinamento, e a cena de luta entre Evangeline e Mare. Gostei das aulas de dança com Cal, achei uma maneira muito doce de (quase) desenvolver o relacionamento deles. Gostei da questão política do livro, e de como Maven escolheu os alvos do ataque baseados na sua importância pra guerra.

Então, gostei do livro. Acho que tem várias falhas, mas que podem ser consertadas nos próximos livros. Acho que vou ler sim as continuações.

E você, o que achou de A Rainha Vermelha?
Beijos,

2 comentários:

  1. Oii, adorei a resenha!
    Já tinha visto este livro e a curiosidade foi grande para ler :)
    http://bellapagina.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada! Apesar dos meus problemas com ele, é um livro bom, sim! Beijos, Jú

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